Moeda do Império Bizantino – Follis Anônimo, Classe A3. Cunhada em Constantinopla durante o reinado conjunto de Basílio II e Constantino VIII, c. 1020–1028 d.C.
Anv.: Busto frontal de Cristo Pantocrator, nimbado, em representação solene característica das emissões anônimas bizantinas.
Rev.: Inscrição em quatro linhas: +IҺSЧS / XRISTЧS / BASILЄЧ / BASILЄ’, significando “Jesus Cristo, Rei dos Reis”, acompanhada por ornamentos acima e abaixo.
Ref. Numismática: DOC A2.24; Sear Byzantine 1818 (SB 1818).
Bronze (Æ), 26mm, 9,50g.
Contexto histórico
Os chamados folles anônimos representam uma das séries mais marcantes da moeda bizantina. Diferentemente das emissões tradicionais, eles não apresentam o retrato nem o nome do imperador reinante. Em seu lugar, Cristo ocupa o anverso, enquanto o reverso proclama Jesus Cristo como “Rei dos Reis”, reforçando a concepção bizantina de que o poder imperial terreno estava subordinado à autoridade divina.
Este exemplar pertence à Classe A3, geralmente situada nos últimos anos do longo reinado de Basílio II, o Bulgaróctono, e no período de governo conjunto com seu irmão Constantino VIII. Basílio II governou durante uma fase de grande expansão e fortalecimento do Império Bizantino, consolidando o domínio imperial sobre os Bálcãs após suas campanhas contra o Primeiro Império Búlgaro. Quando morreu em 1025, Constantino VIII tornou-se imperador único, permanecendo no trono até 1028.
A escolha de Cristo como única figura de autoridade na moeda tornou essas emissões particularmente emblemáticas da estreita ligação entre religião, legitimidade política e poder imperial no mundo bizantino do século XI.